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Guilty Crown

Abr 12 26

Escrito por Luis Nabais @ 26/04/12 10:04 | Sem Comentários »

Guilty Crown

Guilty Crown

Num futuro próximo, um meteorito com um vírus extraterrestre despenha-se no Japão causando uma infecção devastadora a nível nacional e um estado total de anarquia. Uma organização internacional conhecida como GHQ intervém com lei marcial e restaura a ordem no país a troco da sua independência. Este acidente torna-se conhecido como o Natal Perdido.

Dez anos mais tarde, em 2039, Ouma Shuu – um adolescente com um poder especial acordado pelo vírus Apocalipse – encontra Yuzuiha Inori, uma estranha rapariga que o leva a juntar-se à luta contra as forças robóticas da organização governamental e uma sociedade secreta cujos objectivos continuam envoltos em mistério.

Na temporada outonal de 2011 o estúdio Production I.G. decidiu apostar forte numa historia de ficção cientifica original. Essa historia é este Guilty Crown e em termos de investimento foi dos fortes: banda sonora de altíssima qualidade, animação capaz de fazer inveja a muitos outros estúdios, designs que praticamente asseguram popularidade, jogos e tudo o que de mais se pode fazer para promover uma série.

A premissa da série é muito promissora e tem todos os componentes para ser um forte candidato a entrar nos anais da historia do meio mas será que o conseguiu?

Guilty Crown - Yuzuriha Inori

Yuzuriha Inori

Guilty Crown conta a historia de Ouma Shuu: um simples estudante introvertido que sempre procurou não causar ondas mas que se vê subitamente arrastado para uma situação complicada quando a misteriosa vocalista da banda underground EGOIST, Yuzuiha Inori, aparece ferida no armazém abandonado que ele utiliza como esconderijo. Devido a ela Shuu vai obter o poder de extrair armas e outras ferramentas, chamadas Voids, usando a sua mão direita dos corações das pessoas e devido a isso juntar-se-a aos Undertakers, um grupo que luta contra a organização (GHQ) que tomou as rédeas do Japão na sequela do surto do misterioso vírus Apocalipse aquando da data apelidada de Natal Perdido.

A premissa é boa e em cima disso a própria historia é também ela promissora porém a coisa mais simpática que posso dizer sobre a execução destes dois factores é que foi simplesmente feita à pressa. É que é mesmo a justificação mais simpática que consigo encontrar para o resultado que saiu desta serie. Num esforço em que todos os elementos parecem ser uma aposta sem risco é difícil compreender como é que se chegou a este resultado. Mas deixem-me elaborar.

A primeira metade da série é um desastre! Após a introdução com o personagem principal a receber o seu poder somos presenteados com 3 ou 4 pequenos arcos em que vemos vários elementos dos rebeldes entrarem na escola de Shuu para as já obrigatórias cenas do dia a dia escolar, somos brindados com os obrigatórios episódios de ida à praia e afins sempre lado a lado com missões que pouco ou nada contribuem para o enredo global mas que levantam questões atrás de questões que tardam em ser resolvidas.

Mas o irritante é que mesmo pelo meio destes episódios de suposto desenvolvimento dos personagens existe um ou outro que são praticamente geniais enquanto os restantes parecem ter sido escritos cada qual pelo seu guionista sem qualquer tipo de coordenação global causando autênticos flip-flops no que toca às atitudes do elenco.

E depois tudo rebenta a meio da série com o tradicional mundo em colapso, novos vilões introduzidos do nada e junta-se a isso a obrigatória morte heróica depois de um falso alarme alguns episódios antes. A partir daqui a série sobe um pouco de qualidade mas os problemas mantêm-se os mesmos.

Guilty Crown - Tamadate Souta & Samukawa Yahiro

Souta & Yahiro

O grande problema é mesmo o facto de os argumentistas não fazerem ideia sobre como desenvolver os personagens e o enredo: somos constantemente bombardeados com plot devices e mudanças súbitas de caracterização que no limite nos fazem questionar se não faltou um qualquer episódio pelo meio… ou dez. Mortes marcantes são menosprezadas com personagens a voltarem dos mortos inexplicavelmente e certos episódios limitam-se simplesmente a descarregar informação em cima do telespectador na expectativa de que isso disfarce a incapacidade dos guionistas de efectuar as transições. E o pior disto tudo é que, mesmo com estas descargas de informação, ficam coisas mal explicadas!

É por demais óbvio que alguém escreveu os pontos chave da historia e depois se limitou a pedir aos guionistas para preencher os buracos da forma que melhor entendessem sem qualquer orientação ou direcção e isso é pura e simplesmente imperdoável!

A banda sonora tem muitíssima qualidade mesmo que fique ligeiramente aquém do genial mas sempre somos brindados com a nova vocalista dos Supercell, Chelly, e a sua voz absolutamente espectacular particularmente nas faixas Departures e Euterpe. É só uma pena que essas faixas sejam repetidas ad-eternum sempre que alguém decide que dava jeito a suposta personagem vocalista cantar. Não que o facto de ela fazer parte de uma banda alguma vez volte a ser mencionado fora a primeira meia dúzia de episódios tirando aquele momento em que isso se torna aparentemente importante para o enredo num único episódio no meio da temporada.

A animação e a arte, como já disse, fazem inveja a muitos estúdios e mostram aquilo que de melhor a Production I.G. consegue fazer em televisão enquanto que o trabalho dos actores que dão voz aos personagens é também ele de louvar nem que seja pelo raro facto de não existir uma única personagem que se torne irritante ou cansativa de ouvir. É até digno de menção o facto do personagem principal ter uma evolução muito positiva desde um puto introvertido e covarde até se tornar uma pessoa forte e assertiva mesmo que os passos intermédios sejam lamentavelmente atabalhoados.

É mesmo muito triste ver o resultado desta série: clichés, plot devices e uma incapacidade generalizada de conseguir pegar numa boa premissa e criar uma historia que entretenha em seu redor deitam por terra aquela que podia ser uma série notável de ficção cientifica e quiçá uma das séries do ano.

Veredicto: Guilty Crown é muita parra e pouca uva. Um orçamento grande e uma boa premissa não bastam quando a concretização é assim tão atabalhoada. Não é que seja uma má série uma vez que até é bastante agradável porém os seus defeitos são duplamente graves numa série tão apregoada como esta foi.

  • Imagem: 8/10
  • Som: 6/10
  • História: 5/10
  • Personagens: 6/10
  • Nota Final: 5/10

Guilty Crown acabou recentemente a sua emissão no Japão porém não existem quaisquer noticias quanto a possiveis edições DVD/BR fora do país. Guilty Crown @ TV Wall

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