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Carta aberta ao Expresso

Mar 09 10

Escrito por Dextro @ 10/03/09 0:03 | 2 Comentários »

AVISO: Este texto não representa nem em parte nem na sua totalidade as opiniões do meu empregador. Tudo o que escrevo neste texto, bem como neste blogue, são apenas as minhas opiniões pessoais.
Esta entrada surge como resposta ao artigo publicado em expresso.pt intitulado: “Magalhães”: O Expresso e um pretenso desmentido

Cara direcção do Expresso,
Certamente que, contrariamente ao senhor José Jorge, têm as habilitações necessárias para efectuar a tradução de software como o GCompriz e que ao contactarem com o autor original do programa ficaram a perceber que essa mesma tradução é fruto de um trabalho voluntário por parte das mais diversas pessoas e organizações por esse mundo fora.

Espero com esta carta aberta educá-los um pouco sobre o modelo de desenvolvimento Open-Source (ou Código Livre), modelo esse que parecem (ou querem fazer parecer) desconhecer. Para vosso conhecimento o modelo de que falo assenta sobre o princípio de que o código fonte dos programas informáticos e tudo o mais que lhe está associado (documentação, traduções, etc.) são de livre redistribuição e modificação, são criados e melhorados com a contribuição voluntária de todos os envolvidos.

A Caixa Magica Software é uma empresa que se dedica à distribuição e ao suporte do sistema operativo Linux possuindo para tal várias distribuições do mesmo sistema (neste caso a Caixa Magica 12 MAG) sendo a actividade principal da empresa, a meu ver, proporcionar suporte e corrigir problemas que os seus clientes encontrem com o software. Para efectuar tal trabalho é necessário que os clientes reportem os erros à empresa de forma a ser possível corrigi-los, não sendo de todo produtivo procurar rapidamente desinstalar o software em questão.

A Caixa Magica procura também ajudar sempre que possível no desenvolvimento dos diversos componentes que juntos formam o sistema operativo Linux à semelhança de muitas outras empresas pelo mundo fora, umas maiores do que outras, que assentam sobre o mesmo modelo de negócio e sobre a mesma filosofia de partilha de conhecimento e esforços.

Sinto-me portanto profundamente enojado e insultado ao ver a Caixa Magica Software, e em boa parte todo o modelo Open-Source e respectivas pessoas singulares e/ou colectivas associadas, serem arrastadas para aquilo que não posso deixar de considerar um jogo sujo politico considerando o quão oportuna é a noticia à luz não só do ano de eleições em que nos encontramos como do facto do projecto Magalhães ser uma das bandeiras da governação do governo actual.

Deixo então o convite aos senhores jornalistas do Expresso, ao Exmo. Sr. Deputado José Paulo Carvalho e a todos os demais que assim o desejarem de se dirigirem à minha pessoa, á Caixa Magica ou a quem mais acharem indicado para saberem como é possível participarem num dos inúmeros projectos Open-Source (como o GCompriz por exemplo) de forma a defenderem a Língua Portuguesa contribuindo com traduções, com documentação, código fonte ou o que demais puderem fazer para melhorar a sua qualidade e ajudar a evitar que situações como esta se repitam. Ajuda e críticas construtivas são sempre bem-vindas.

PS: Fica também uma nota de apreço para o senhor José Jorge, emigrante Português que realmente apenas dispõe da 4ª classe feita em Portugal (tendo terminado o seu ensino superior em França) e que mesmo assim tentou dar o seu melhor para traduzir um software como o GCompriz para a sua língua materna sozinho e sem apoios destes que por cá andamos demasiado ocupados a olhar para os nossos umbigos.

Formação Cívica

Fev 09 27

Escrito por Dextro @ 27/02/09 20:02 | 2 Comentários »

Durante uma conversa hoje cá por casa comecei a pensar nos comportamentos totalmente erráticos que inúmeros peões por esse país fora exibem constantemente e comecei a ponderar qual poderia ser a solução para evitar isto no futuro e a solução foi simples: Formação Cívica.

O meu raciocínio é simples de seguir: Os comportamentos de desrespeito pelo código da estrada por parte de muitos peões portugueses são fruto do desconhecimento do código pela parte da grande maioria deles logo a solução é ensinar o mesmo nos 9 anos de ensino obrigatório. A disciplina de Formação Cívica serve que nem gingas já que o próprio nome da mesma indica que deve servir para formar as crianças para serem cidadãos de pleno direito e uma vez que eu acredito que uma pessoa só se pode considerar cidadão de pleno direito se cumprir e respeitar as ordens impostas pelos seus pares temos uma combinação perfeita.

Uma consequência engraçada desta alteração é que se podia perder a obrigatoriedade de frequência ás aulas de código para tirar a carta de condução uma vez que a mesma já tinha sido obrigatoriamente estudada no percurso normal de ensino.

Outros conteúdos que, a meu ver, deviam fazer parte do currículo da disciplina de Formação Cívica são:

  • A Constituição Portuguesa pois, a meu ver, todos os cidadãos nacionais deviam ter pelo menos conhecimentos basicos da mesma por forma a conhecerem os seus direitos e deveres.
  • Os três poderes: Executivo, Judiciário e Legislativo e um olhar básico sobre como eles se dividem e como interagem entre si.

Não concordam comigo que uma disciplina de Formação Cívica com esta matéria seria muito mais interessante do que a actual que, de acordo com a minha irmã de 14 anos, é uma disciplina onde “se fazem uns inquéritos e uns debates”?

O nosso Portugal

Out 08 24

Escrito por Dextro @ 24/10/08 22:10 | Comentar »

O nosso Portugal é aquilo que o Luís Miguel Sequeira retrata com uma brutalidade raramente vista no seu artigo intitulado “Não percebo nada de política”.

Não me entendam mal, eu por brutalidade quero dizer que o artigo representa brutalmente aquilo que realmente se passa no nosso pais, os verdadeiros problemas que nós como Portugueses temos, que o nosso país sofre e um pequeno olhar para possíveis futuros que se apresentam á nossa frente.

Eu não sei muito bem como descrever o post (e agora não tenho tempo para um olhar mais aprofundado ao tema mas gostaria de o fazer em breve) mas recomendo vivamente a leitura daquele extenso artigo.

Por Dizer

Jun 08 20

Escrito por Dextro @ 20/06/08 22:06 | 3 Comentários »

Andei tão ausente que deixei tanta coisa por dizer nos últimos tempos. Eu até pensei várias vezes em posts aqui para o blog mas depois era estudar para um exame ou era a falta de vontade… A realidade é que deixei passar boas oportunidades para actualizar aqui o estaminé no entanto como gosto de andar sempre fora de modas vou fazer aqui um breve comentário às coisas que fui deixando de lado:
 

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De luto

Mai 08 17

Escrito por Dextro @ 17/05/08 11:05 | 4 Comentários »

Estou a partir de hoje de luto… Estou de luto pela Língua Portuguesa que se vê hoje a braços com um atentado previsto e ordenado pelos nosso deputados. Estou também de luto pela nossa democracia que deixou ontem demonstrado que a palavra de mais de 35000 habitantes é totalmente desprezível no que toca ao destino da nossa língua…

Não falamos como Camões ou Fernando Pessoa é um facto, a língua evolui obviamente mas não considero correcto que meia dúzia de pessoas decida o destino da língua que tão essencial é à nossa vida. Não consigo compreender como é que escritores e editores foram deixados de fora, não consigo compreender como é que o Ministério da Educação ficou de fora de toda a discussão, não consigo compreender como é que um grupo cerca de 250 marmanjos pode decidir numa tarde o destino de uma língua falada não apenas por 10 milhões mas por muitos mais por esse mundo fora…

Estou portanto de luto pela nossa língua que tão bela foi e pela nossa democracia que perdeu todo o espírito que tinha no pós-25 de Abril para se tornar num conjunto de barões que decidem arbitrariamente o que os outros devem fazer…

Sobre Política

Mai 08 04

Escrito por Dextro @ 04/05/08 18:05 | 1 Comentário »

Provavelmente aqueles que me costumam ler aqui neste espaço não têm noção mas eu interesso-me um pouco pela política. Não me interesso tanto quanto algumas pessoas mais velhas e certamente que não estou tão a par das ideologias e tendências políticas nacionais dos últimos anos mas faço o meu melhor para ir acompanhando a situação que se vive na actualidade.

Infelizmente e até há bem pouco tempo sentia-me envolto na geração que cresceu nos 90, a geração a que pertenço. Geração essa que, fruto de vários critérios, sempre esteve num estado de completa separação entre si mesma e a classe política logo nunca tive o prazer de ver a minha veia política estimulada… Por outro lado esse desinteresse dos meus pares forçou-me a encontrar novos meios para me integrar, habitualmente entre pessoas mais velhas com quem conseguia efectivamente falar sobre esse importante aspecto da nossa sociedade.

No entanto, e apesar de fazer os meus melhores, continuo a sentir-me demasiado desligado da vida política nacional mesmo que me preocupe com a mesma… A maioria dos nomes que vejo referenciados são-me demasiado distantes e as ideologias que muitas vezes apresentam demasiado distantes das minhas ideias e ideais…

Tudo isto porquê? Porque tenho seguido com algum interesse e até alguma apreensão as directas que se avizinham no PSD. Estou preocupado com o actual estado do principal partido da oposição apesar de eu tender mais para o PS… ou assim seria se não fosse Sócrates e as suas políticas de centro-direita (por muito redutora que seja essa divisão). Não consigo esquecer o receio de ver o Pedro Santana Lopes novamente á frente do partido. Digam o que disserem o homem é um dos melhores políticos da nossa praça (no sentido de ser bom a fazer política, com o dom da fala e altamente populista) e isso pode muito bem dar-lhe um resultado muito acima do que poderíamos esperar à luz das suas recentes prestações governativas.

Por outro lado temos a Manuela Ferreira Leite, uma pessoa sóbria e que pelo menos inspira confiança… Tem também o pormenor de ter aumentado os impostos e apregoado a estabilidade orçamental acima de tudo na sua última passagem pelo governo, algo que Sócrates também fez com um grau de sucesso claramente superior (ou pelo menos assim pareceu aos olhos do publico).

Quanto aos demais não os conheço na minha ingenuidade política logo não posso dizer muito, resta-me apenas esperar que tudo corra pelo melhor para o PSD e que volte rapidamente o debate politico saudável à praça portuguesa porque de ataques e populismos baratos já estou eu, e muitos outros, cheio.