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Tag: escolas

Memorias da minha escola

Nov 09 17

Escrito por Luis Nabais @ 17/11/09 4:11 | 3 Comentários »

Quando um gajo fica com insónias saem coisas destas, especialmente quando um gajo esteve a ver o ultimo episódio de algo como Azumanga Daioh e se começa a pensar em tempos antigos.

Para quem não conhece a série fica um breve resumo: é um anime de humor sobre um grupo de raparigas nos 3 anos de escola secundária e acaba quando elas saem da escola para ir para a universidade. Posto isto comecei a tentar lembrar-me de quando eu sai da minha secundária e depois do meu 9º ano e foi aqui que fiquei a perder mais tempo. Eu não tive um tempo muito feliz do quinto ao nono ano: a escola tinha muitos elementos negativos fruto da localização e eu nunca me adaptei muito bem mas a ultima vez que lá estive há de sempre ficar associada a umas belas memorias…

Foi num dia 23 de Dezembro (uma data difícil de esquecer) e eu tinha uns belos 16 anos, estava frio mas não chovia e eu só posso dizer que estava de calças de ganga e ténis porque há anos que é praticamente a única coisa que uso no entanto lembro-me perfeitamente que a rapariga com quem estava tinha uma camisola vermelha de malha. Eu tinha passado a tarde com ela como já vinha sendo um acontecimento algo habitual nos últimos 3 ou 4 meses e acabei por ser levado a ver uma peça de teatro do primo mais novo dessa rapariga ao fim da tarde. O miúdo andava numa escola pré-primaria mesmo do outro lado da rua da minha antiga escola preparatória e a peça era numa das salas dessa minha antiga escola. Ainda me lembro da sala e tudo, era no 1º piso ao fundo à esquerda, por baixo da sala onde tive E.V. e era habitualmente usada para visionamento de filmes quando não eram lá as aulas de E.M.R.C. (que “graças a deus” nunca tive).

Foi um dia complicado aquele, foram poucas as vezes na minha vida em que tive o coração a bater tão rápido. Não me lembro de virtualmente nada da peça dos miúdos, admito que não estava muito para aí virado, lembro-me no entanto que a sala tinha as cortinas fechadas porque eu estava junto ás janelas e ia espreitando para o vento que se podia ver nas árvores na rua. No fundo no fundo eu só pensava que queria sair dali para falar com aquela rapariga, havia algo que eu tinha de lhe dizer…

Deviam ser umas 6 da tarde quando sai de lá, era já de noite pois lembro-me das luzes acesas na rua. Junto ao portão principal da escola há uma daquelas caixas de electricidade, mesmo do lado esquerdo do portão na altura pintado de azul (agora não sei como está, já lá vão uns anos desde que lá passo) e foi junto a essa caixa que, já só eu e ela, eu peguei na mão dela e disse, de forma totalmente desengonçada, algo como “Gosto muito de ti. Mas mesmo muito…” e fui repetindo nesse estilo atrapalhado até que ela, com o vermelho das bochechas coradas provavelmente acentuado por aquela camisola, me respondeu com um sorriso envergonhado que precisava de pensar. Lembro-me perfeitamente que não foi um sim, que fiquei ainda mais nervoso quando ela se despediu de mim dizendo que depois me dizia qualquer coisa e que eu fiquei durante uns minutos a olhar enquanto ela voltava para dentro da escola para ir ter com o primo que a festa de natal dos miúdos ainda continuava.

Enquanto caminhava ao longo da rua que seguia ao longo do muro da escola olhei para a bandeira no mastro a abanar na noite fria de inverno a pensar se tinha feito a escolha certa, se não devia antes ter ficado calado e apressei o passo que já se fazia tarde e ainda tinha uns bons minutos de caminho até chegar a casa…

Nessa noite recebi uma mensagem que começava com “Sim”… Eu nem sequer tinha pedido nada, não tinha feito nenhuma pergunta, tinha apenas dito o que sentia mas ela dissera-me que sim… e só acabou quase um ano e meio depois nos corredores de uma outra escola mas não deixa de ser aquele que é possivelmente um dos dias que mais guardo com carinho na minha memoria.

E são coisas lamechas destas que saem quando um gajo anda com insónias. E é tramado porque deixam um gajo com um sorriso parvo na cara, uma lágrima no canto do olho e com o sentimento de acabei de fazer o papel daquele velhote dos anúncios dos caramelos Werther’s Original mas não tenho nenhum neto para me dar um nem sequer idade para filhos.

Bah, vou mas é calar-me e ver se vou dormir que esta historia já a devo ter contado umas 500 vezes… E vocês que me lêem, como foram as ultimas vezes que entraram numa das vossas velhas escolas?

PS: caso estejam a interrogar-se sim, eu obviamente que ainda me lembro do nome da rapariga. Apenas decidi não o meter por escrito.

Formação Cívica

Fev 09 27

Escrito por Luis Nabais @ 27/02/09 20:02 | 2 Comentários »

Durante uma conversa hoje cá por casa comecei a pensar nos comportamentos totalmente erráticos que inúmeros peões por esse país fora exibem constantemente e comecei a ponderar qual poderia ser a solução para evitar isto no futuro e a solução foi simples: Formação Cívica.

O meu raciocínio é simples de seguir: Os comportamentos de desrespeito pelo código da estrada por parte de muitos peões portugueses são fruto do desconhecimento do código pela parte da grande maioria deles logo a solução é ensinar o mesmo nos 9 anos de ensino obrigatório. A disciplina de Formação Cívica serve que nem gingas já que o próprio nome da mesma indica que deve servir para formar as crianças para serem cidadãos de pleno direito e uma vez que eu acredito que uma pessoa só se pode considerar cidadão de pleno direito se cumprir e respeitar as ordens impostas pelos seus pares temos uma combinação perfeita.

Uma consequência engraçada desta alteração é que se podia perder a obrigatoriedade de frequência ás aulas de código para tirar a carta de condução uma vez que a mesma já tinha sido obrigatoriamente estudada no percurso normal de ensino.

Outros conteúdos que, a meu ver, deviam fazer parte do currículo da disciplina de Formação Cívica são:

  • A Constituição Portuguesa pois, a meu ver, todos os cidadãos nacionais deviam ter pelo menos conhecimentos basicos da mesma por forma a conhecerem os seus direitos e deveres.
  • Os três poderes: Executivo, Judiciário e Legislativo e um olhar básico sobre como eles se dividem e como interagem entre si.

Não concordam comigo que uma disciplina de Formação Cívica com esta matéria seria muito mais interessante do que a actual que, de acordo com a minha irmã de 14 anos, é uma disciplina onde “se fazem uns inquéritos e uns debates”?

Educação em Portugal

Mar 08 20

Escrito por Luis Nabais @ 20/03/08 23:03 | 5 Comentários »

Em resposta ao artigo: “Professora leva porrada numa aula! Ao que isto chegou!” @ JoaoSilas.net.

Isto só mostra aquilo que qualquer aluno inteligente ou qualquer outra pessoa que tenha contacto com a vida escolar portuguesa já sabe há muito tempo: a maioria dos alunos de hoje não tem respeito a ninguém. Não respeitam professores, não respeitam auxiliares de educação, nem sequer respeitam os seus familiares e a culpa não é das escolas amiginhos das associações de país mas sim dos paizinhos desta geração “playstation”.

Quando a criança faz birrinha para lhe comprarem o joguinho fazem-lhe a vontade, quando faz birrinha porque não quer comer os espinafres vão ao mcdonalds e depois, mais tarde, descobrem que o filinho não respeita ninguém porque nunca conheceu o conceito de autoridade e só se apercebem quando é tarde demais, quando o filinho querido da mãezinha já está na esquadra de policia ou suspenso em casa por situações como esta… Ou então não e nunca se apercebem uma vez que os professores é que são responsáveis pela educação dos filhos contribuindo para uma sociedade cada vez mais egocêntrica e com um escalar de problemas sociais.

E aplaude-se o ministério da educação que simplifica os programas para melhorar as notas que mostra a Bruxelas, a avaliação de professores que ninguém sabe muito bem como vai ser feita (note-se que eu concordo que deve existir, só não acredito que este governo seja capaz de a fazer convenientemente)… Estranha-se quando o filinho chega á universidade sem saber ler nem escrever correctamente, quando o menino queridinho da mamã não sabe quando são 4×6 no 12º ano ou quando o filhote já crescido está no subsidio de desemprego sem querer trabalhar passando os dias a ver televisão e a dizer que “com o Salazar isto era diferente”…

Portanto para os paisinhos dos “meninos” como aquela que apareceu hoje na TV á bulha com uma professora tomem atenção: os vossos filhos não têm qualquer capacidade de viver em sociedade, não foram educados e a culpa não é das escolas mas sim vossa: tomem redeas e corrijam-no enquanto podem porque o futuro dos vossos filhos… Não, o futuro do nosso país assenta agora sobre a forma como educam os vossos “meninos”. Uma palmada bem dada de tempos a tempos não é abuso, é pedagogia por muito que queiram dizer que não*.

Só espero que isto mude rapidamente pois a situação está a tornar-se exasperante…

* Com peso e medida obviamente!

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