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Pirataria e a “perca” de dinheiro

Jan 10 20

Escrito por Luis Nabais @ 20/01/10 14:01 | 13 Comentários »

Cada vez que alguém acusa a pirataria de o fazer perder dinheiro Jesus mata 30 gatinhos, 15 canários e 8 porquinhos da índia. Desculpem-me mas é a única coisa que consigo dizer depois de ler textos francamente alarmistas como o colocado no site da ACAPOR que exclamam, qual reportagem da Fox News, coisas como:

800 lojas sucumbiram, 2 400 postos de trabalho desapareceram. Perante esta catástrofe social o Estado Português continua, qual avestruz, a fingir que nada se passa.

Ora vamos aqui clarificar uma coisa para quem acha que a pirataria é roubar ou que faz perder dinheiro: Meus amigos, só se pode perder dinheiro se já o tiveram em algum momento. Vendas não realizadas não são “percas”, quanto muito são potenciais lucros não obtidos o que é algo totalmente diferente.

Mas voltando à Dor e ao sofrimento invocado pela “catástrofe social” que a ACAPOR garante existir no nosso país eu pergunto: porque será que essas “800 lojas sucumbiram”? Será que foi mesmo por causa dos “Downloads ilegais” ou será que foi devido aos modelos de negócio desactualizados que procuravam explorar o consumidor numa era há muito desaparecida onde o acesso à informação e à cultura estava concentrado na mão de alguns.

E mais: “Downloads Ilegais” não existem meus amigos, o que existem é copias não autorizadas e nesse campo temos hoje um debate mundial sério sobre até que ponto se pode limitar os direitos dos indivíduos a copiar algo que adquirem. O direito à propriedade consagra o direito ao uso da mesma como o proprietário bem entender e isso tecnicamente devia incluir o direito à copia. A limitação deste direito através de tecnologias como o DRM ou de leis como o DMCA dos EUA vão contra os direitos fundamentais do Homem na minha modesta opinião e qualquer cidadão que defenda a democracia e a liberdade do individuo deve obviamente ser contra todo o tipo de leis e tecnologias que procurem limitar ou remover esses nossos direitos fundamentais.

Portanto eu faço aqui um apelo a todos os que me lêem e que concordam comigo: passem pelo site do Movimento por um Partido Pirata Português e colaborem da forma que vos for possível para o crescer desta voz em Portugal.

Este post vem como resposta a este apelo da ACAPOR.

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13 Comentários

  1. ui

    20 de Janeiro de 2010 ás 17:03

    a utilizar Safari 531.21.10 em Mac OS X 10.6.2

    O t´tulo desde blog faz jus ao chorrilho de disparates que acabaste de escrever.

    1) Mike, se eu não vendo não facturo, se não factura não tenho lucro. Logo, se não vender não tenho lucro.
    Se tu em vez de ires ao video clube buscar um filme, alugares esse no sistema VOD do teu operador de TV, o comprares na FNAC ou de outra forma… e o fores “sacar à net”, alguém acabaou de perder dinheiro. Dizer que isto não faz ninguém perder dinheiro é ser estúpido ou hipócrita.

    2) Não existem downloads ilegais 😀
    Eu vou-te contar um segredo. Obter um cópia para a qual não tens direito *legal* de posse é… ilegal. Eu não me interessa se o gajo que fez a copia e a pôs online para tu sacar a podia fazer ou não. *TU* é que não a podes ir buscar. *TU* não tens autorização para a ter pq 1) não é uma cópia autorizada *TUA* 2) nem a pagaste/alugaste.

    A conversa do DRM e afins é folclore e se não gostas não compres. É a lei. Lá por não gostar não quer dizer que a possa violar.

    • Dextro

      20 de Janeiro de 2010 ás 17:17

      a utilizar Mozilla Firefox 3.5.3 em Windows 7

      Ora vamos lá por pontos:

      1) Mais uma vez não há percas nenhumas. Onde é que alguém perdeu dinheiro? Perdeu possiveis vendas que são potencial lucro mas nunca perdeu dinheiro. Num mundo digital uma copia tem custo zero! Não custa nada fazer uma copia digital: não é preciso imprimir capas, não é precisso prensar cds/dvds, não é preciso usar uma empresa de distribuição…

      E eu nunca disse que sou contra pagar por um filme, até gosto de pagar pela cópia física do mesmo. Dá-me gosto pagar pelas capas bonitas ou pagar pelo prazer de ir ver num ecrã de cinema mas considero que o direito de livre acesso á cultura é um direito fundamental do homem e como tal oponho-me a qualquer iniciativa que procure impedir esse direito.

      2) Não existem downloads ilegais, ao menos nisso estamos de acordo não? Eu neste momento estou um pouco desactualizado quanto à lei pois salvo erro foi passada uma lei nesse sentido efectivamente PORÉM eu considero isso uma violação dos direitos do fundamentais do homem e continuarei a lutar para que tal não seja assim.

      Agora entra a questão de definição do direito á propriedade: eu considero o direito à propriedade intelectual nos moldes actuais uma deturpação do seu sentimento original. Eu considero que o direito á propriedade intelectual existe para impedir que um artista veja outro artista copiar o seu trabalho e rotula-lo como seu e não como um monopólio perpetuo sobre a sua criação.

      E já agora antes que venha a tradicional acusação de que eu não gostaria que me fizessem o mesmo a mim deixo a ressalva que, como todos os que me conhecem já sabem muito bem, eu como informático advogo sempre o uso de licenças open source e acredito profundamente que todo o conhecimento e cultura devem ser de livre acesso.

      E por fim quem lhe dá o direito de vir aqui assumir que eu sou culpado de alguma coisa? Eu alguma vez disse que faço download de ficheiros ilegais? Tem provas disso?

      E digo-lhe mais eu vivo em democracia e como tal tenho pleno direito de dizer as barbaridades que bem me entender. Mais: tenho direito a voto e tenho direito a ser ouvido pelos meus representantes eleitos e como tal tenho direito a fazer pressão para que leis que considero injustas sejam alteradas.

  2. Jorge Moura

    20 de Janeiro de 2010 ás 21:43

    a utilizar Safari 531.21.10 em Mac OS X 10.6.2

    Uma coisa é discutir termos linguísticos, se é download ilegal ou não, se é roubar ou deixar de ganhar, etc e tal.

    Agora uma coisa podes ter a certeza, se fosses empresário, se a tua empresa desenvolvesse software, tenho a certeza que a tua posição seria outra.

    Imagina que a tua empresa vai desenvolver uma aplicação, de nome A, e para a desenvolveres vais afectar 2 RH por 2 meses. Se esses mesmos recursos tiverem um ordenado bruto de 1000 Euros a tua empresa vai ter encargos de cerca de 1600 Euros (ordenado + SS + Seguro de acidentes trabalho). Mas não é só isto. Estes RH trabalham em computadores que custam dinheiro. Não vou adicionar custos para o SW, claro. Mas o computador implica electricidade e Internet. Os RH precisam de caneta e papel, de uma impressora para imprimir coisas. A empresa, para funcionar, tem de ter um contabilista, fora todos os custos associados à burocracia (contratos, impostos, impostos de selo, etc.). Claro que precisas também de um contrato com uma operadora de comunicações, fixa e móvel, ou no mínimo, só a última.

    Mas espera, há mais. Segundo a lei Portuguesa, tens de dar formação aos empregados, e isso custa dinheiro, ou no limite, é tempo que os RH não estão a produzir.

    Depois, reza para que durante esses dois meses nenhum dos teus RH esteja de férias. Por falar em férias, não te esqueças que tens de pagar subsidio de férias e 13º mês.

    Não te podes ainda esquecer os custos com material de Marketing, economato em geral e, muito importante, despesas de deslocação e representação.

    Assim, no final do desenvolvimento, vais ter que, no mínimo, ganhar para os gastos.

    É aí que vais estipular um preço de venda ao público, sendo que este preço deve ser ajustado à tua perspectiva de mercado. Imagina que o teu preço é de 100 Euros.

    Ora, pelas tuas contas, 100 Euros X 0 un = 0Euros.

    Ou a tua empresa é a Santa Casa da Misericordia, ou escravizas os teus empregados e não cumpres com as responsabilidades para com os teus fornecedores, ou mudas de opinião.

    Na minha opinião, o que tem de ser repensado é o custo das coisas. Se os jogos para as consolas, em vez de custarem 60 Euros, se custassem 20, será que havia a mesma quantidade de pirataria? Analisando o sucesso da App Store, onde a grande parte das aplicações pagas custam 0.79 euros, 1 euro dá para pensar. O mesmo se passa com os CD e DVD.

    Devia-se era atacar os intermediários e lutar por um custo justo, não dizer que tudo é grátis, ou tem de ser grátis porque sim. Como se diz no mundo dos negócios, não há almoços grátis.

    Abraços

    Jorge Moura

    • Dextro

      20 de Janeiro de 2010 ás 21:46

      a utilizar Mozilla Firefox 3.5.3 em Windows 7

      Ou então a minha empresa de software publica o código gratuitamente e faz contratos de suporte a esse software.

      E não me venham dizer que este modelo de negocio não funciona.

  3. luis

    20 de Janeiro de 2010 ás 21:54

    a utilizar Netscape Navigator 5.0 em Windows Vista

    é isso mesmo. infelizmente ainda não calaram esta gente que, além de serem velhos do restelo, querem obrigar as pessoas a fazer só o q eles querem e ouvir a porcaria q eles vendem a 30 euros por “musica” engarrafada… 

    p.s. – não percebi o q queres dizer com “datados”

  4. Groovebox

    06 de Janeiro de 2011 ás 00:34

    a utilizar Opera 9.80 em Windows 7

    Dextro, acho que serias uma pessoa ainda mais honesta com as tuas próprias convicções se declarasses o teu trabalho diário
    como Open Source para a tua entidade patronal. Acho que não é justo cobrares o que cobras no fim do mês. Afinal, o teu trabalho é de todos. 🙂
    Trabalha livremente e gratuitamente para gratuitamente viveres. Doa todo o teu conhecimento para o bem da humanidade. Só não sei como vais meter a comida no prato e pagar o tecto onde vives, mas com tantas certezas que tens, já deves ter solução para o problema 🙂 Ou então vai viver para uma gruta, mas então esquece o computador, os filmes, a música MP3e… Boa sorte.

    • Luis Nabais

      06 de Janeiro de 2011 ás 00:36

      a utilizar Android Browser

      Eu de momento apenas estudo mas o meu último foi precisamente para uma empresa de Linux e o meu trabalho la foi disponibilizado como open source.