Cada vez que alguém acusa a pirataria de o fazer perder dinheiro Jesus mata 30 gatinhos, 15 canários e 8 porquinhos da índia. Desculpem-me mas é a única coisa que consigo dizer depois de ler textos francamente alarmistas como o colocado no site da ACAPOR que exclamam, qual reportagem da Fox News, coisas como:
800 lojas sucumbiram, 2 400 postos de trabalho desapareceram. Perante esta catástrofe social o Estado Português continua, qual avestruz, a fingir que nada se passa.
Ora vamos aqui clarificar uma coisa para quem acha que a pirataria é roubar ou que faz perder dinheiro: Meus amigos, só se pode perder dinheiro se já o tiveram em algum momento. Vendas não realizadas não são “percas”, quanto muito são potenciais lucros não obtidos o que é algo totalmente diferente.
Mas voltando à Dor e ao sofrimento invocado pela “catástrofe social” que a ACAPOR garante existir no nosso país eu pergunto: porque será que essas “800 lojas sucumbiram”? Será que foi mesmo por causa dos “Downloads ilegais” ou será que foi devido aos modelos de negócio desactualizados que procuravam explorar o consumidor numa era há muito desaparecida onde o acesso à informação e à cultura estava concentrado na mão de alguns.
E mais: “Downloads Ilegais” não existem meus amigos, o que existem é copias não autorizadas e nesse campo temos hoje um debate mundial sério sobre até que ponto se pode limitar os direitos dos indivíduos a copiar algo que adquirem. O direito à propriedade consagra o direito ao uso da mesma como o proprietário bem entender e isso tecnicamente devia incluir o direito à copia. A limitação deste direito através de tecnologias como o DRM ou de leis como o DMCA dos EUA vão contra os direitos fundamentais do Homem na minha modesta opinião e qualquer cidadão que defenda a democracia e a liberdade do individuo deve obviamente ser contra todo o tipo de leis e tecnologias que procurem limitar ou remover esses nossos direitos fundamentais.
Portanto eu faço aqui um apelo a todos os que me lêem e que concordam comigo: passem pelo site do Movimento por um Partido Pirata Português e colaborem da forma que vos for possível para o crescer desta voz em Portugal.
Este post vem como resposta a este apelo da ACAPOR.
11 Comentários
ui
20 de Janeiro de 2010 ás 17:03 [s] []
A usar Safari 4.0.4 em Mac OS X
O t´tulo desde blog faz jus ao chorrilho de disparates que acabaste de escrever.
1) Mike, se eu não vendo não facturo, se não factura não tenho lucro. Logo, se não vender não tenho lucro.
Se tu em vez de ires ao video clube buscar um filme, alugares esse no sistema VOD do teu operador de TV, o comprares na FNAC ou de outra forma… e o fores “sacar à net”, alguém acabaou de perder dinheiro. Dizer que isto não faz ninguém perder dinheiro é ser estúpido ou hipócrita.
2) Não existem downloads ilegais
Eu vou-te contar um segredo. Obter um cópia para a qual não tens direito *legal* de posse é… ilegal. Eu não me interessa se o gajo que fez a copia e a pôs online para tu sacar a podia fazer ou não. *TU* é que não a podes ir buscar. *TU* não tens autorização para a ter pq 1) não é uma cópia autorizada *TUA* 2) nem a pagaste/alugaste.
A conversa do DRM e afins é folclore e se não gostas não compres. É a lei. Lá por não gostar não quer dizer que a possa violar.
Dextro
20 de Janeiro de 2010 ás 17:17
A usar Mozilla Firefox 3.5.3 em Windows 7
Ora vamos lá por pontos:
1) Mais uma vez não há percas nenhumas. Onde é que alguém perdeu dinheiro? Perdeu possiveis vendas que são potencial lucro mas nunca perdeu dinheiro. Num mundo digital uma copia tem custo zero! Não custa nada fazer uma copia digital: não é preciso imprimir capas, não é precisso prensar cds/dvds, não é preciso usar uma empresa de distribuição…
E eu nunca disse que sou contra pagar por um filme, até gosto de pagar pela cópia física do mesmo. Dá-me gosto pagar pelas capas bonitas ou pagar pelo prazer de ir ver num ecrã de cinema mas considero que o direito de livre acesso á cultura é um direito fundamental do homem e como tal oponho-me a qualquer iniciativa que procure impedir esse direito.
2) Não existem downloads ilegais, ao menos nisso estamos de acordo não? Eu neste momento estou um pouco desactualizado quanto à lei pois salvo erro foi passada uma lei nesse sentido efectivamente PORÉM eu considero isso uma violação dos direitos do fundamentais do homem e continuarei a lutar para que tal não seja assim.
Agora entra a questão de definição do direito á propriedade: eu considero o direito à propriedade intelectual nos moldes actuais uma deturpação do seu sentimento original. Eu considero que o direito á propriedade intelectual existe para impedir que um artista veja outro artista copiar o seu trabalho e rotula-lo como seu e não como um monopólio perpetuo sobre a sua criação.
E já agora antes que venha a tradicional acusação de que eu não gostaria que me fizessem o mesmo a mim deixo a ressalva que, como todos os que me conhecem já sabem muito bem, eu como informático advogo sempre o uso de licenças open source e acredito profundamente que todo o conhecimento e cultura devem ser de livre acesso.
E por fim quem lhe dá o direito de vir aqui assumir que eu sou culpado de alguma coisa? Eu alguma vez disse que faço download de ficheiros ilegais? Tem provas disso?
E digo-lhe mais eu vivo em democracia e como tal tenho pleno direito de dizer as barbaridades que bem me entender. Mais: tenho direito a voto e tenho direito a ser ouvido pelos meus representantes eleitos e como tal tenho direito a fazer pressão para que leis que considero injustas sejam alteradas.
André Ricardo
20 de Janeiro de 2010 ás 19:46 []
A usar Mozilla Firefox 3.5.7 em Mac OS X
Devem se ter inspirado nos 750,000 desempregados nos EUA por causa da pirataria http://arstechnica.com/tech-policy/news/2008/10/dodgy-digits-behind-the-war-on-piracy.ars
Jorge Moura
20 de Janeiro de 2010 ás 21:43 [s] []
A usar Safari 4.0.4 em Mac OS X
Uma coisa é discutir termos linguísticos, se é download ilegal ou não, se é roubar ou deixar de ganhar, etc e tal.
Agora uma coisa podes ter a certeza, se fosses empresário, se a tua empresa desenvolvesse software, tenho a certeza que a tua posição seria outra.
Imagina que a tua empresa vai desenvolver uma aplicação, de nome A, e para a desenvolveres vais afectar 2 RH por 2 meses. Se esses mesmos recursos tiverem um ordenado bruto de 1000 Euros a tua empresa vai ter encargos de cerca de 1600 Euros (ordenado + SS + Seguro de acidentes trabalho). Mas não é só isto. Estes RH trabalham em computadores que custam dinheiro. Não vou adicionar custos para o SW, claro. Mas o computador implica electricidade e Internet. Os RH precisam de caneta e papel, de uma impressora para imprimir coisas. A empresa, para funcionar, tem de ter um contabilista, fora todos os custos associados à burocracia (contratos, impostos, impostos de selo, etc.). Claro que precisas também de um contrato com uma operadora de comunicações, fixa e móvel, ou no mínimo, só a última.
Mas espera, há mais. Segundo a lei Portuguesa, tens de dar formação aos empregados, e isso custa dinheiro, ou no limite, é tempo que os RH não estão a produzir.
Depois, reza para que durante esses dois meses nenhum dos teus RH esteja de férias. Por falar em férias, não te esqueças que tens de pagar subsidio de férias e 13º mês.
Não te podes ainda esquecer os custos com material de Marketing, economato em geral e, muito importante, despesas de deslocação e representação.
Assim, no final do desenvolvimento, vais ter que, no mínimo, ganhar para os gastos.
É aí que vais estipular um preço de venda ao público, sendo que este preço deve ser ajustado à tua perspectiva de mercado. Imagina que o teu preço é de 100 Euros.
Ora, pelas tuas contas, 100 Euros X 0 un = 0Euros.
Ou a tua empresa é a Santa Casa da Misericordia, ou escravizas os teus empregados e não cumpres com as responsabilidades para com os teus fornecedores, ou mudas de opinião.
Na minha opinião, o que tem de ser repensado é o custo das coisas. Se os jogos para as consolas, em vez de custarem 60 Euros, se custassem 20, será que havia a mesma quantidade de pirataria? Analisando o sucesso da App Store, onde a grande parte das aplicações pagas custam 0.79 euros, 1 euro dá para pensar. O mesmo se passa com os CD e DVD.
Devia-se era atacar os intermediários e lutar por um custo justo, não dizer que tudo é grátis, ou tem de ser grátis porque sim. Como se diz no mundo dos negócios, não há almoços grátis.
Abraços
Jorge Moura
Dextro
20 de Janeiro de 2010 ás 21:46
A usar Mozilla Firefox 3.5.3 em Windows 7
Ou então a minha empresa de software publica o código gratuitamente e faz contratos de suporte a esse software.
E não me venham dizer que este modelo de negocio não funciona.
luis
20 de Janeiro de 2010 ás 21:54 [s] []
A usar Google Chrome 3.0.195.38 em Windows Vista
é isso mesmo. infelizmente ainda não calaram esta gente que, além de serem velhos do restelo, querem obrigar as pessoas a fazer só o q eles querem e ouvir a porcaria q eles vendem a 30 euros por “musica” engarrafada…
p.s. – não percebi o q queres dizer com “datados”
Dextro
20 de Janeiro de 2010 ás 21:56
A usar Mozilla Firefox 3.5.3 em Windows 7
Desta vez tens toda a razão, datados não era a palavra correcta mas sim desactualizados. Já corrigi.
O problema eu andar a pensar no inglês dated enquanto estou a escrever.
Tiago Rodrigues
20 de Janeiro de 2010 ás 22:27 [s] []
A usar Google Chrome 4.0.288.1 em Mac OS X
As pessoas que aqui comentam esquecem-se de uma coisa: o mundo muda, e tudo isto não é mais do que um sinal da mudança.
Há por aqui quem diga que um vídeo clube perde dinheiro quando alguém aluga um vídeo no sistema do operador de TV. Quantas vezes é que isto já aconteceu com outros negócios ? Que eu saiba muitos mini-mercados também fecharam com o aparecimento dos hipermercados, e coisas como as barbearias quase que desapareceram com o aparecimento de utensílios que facilitam em muito que se faça a barba em casa. Podia estar aqui a noite toda a citar exemplos. Chamem-lhe progresso ou não, é o mundo em mudança.
O mesmo se aplica às empresas de software. Aquela velha história de meter 20 gajos fechados numa salinha a fazer um software que depois sai cá pra fora para as lojas em caixinhas já era. Sim, ainda há muitas dessas caixinhas na Vobis e afins. Quantas delas não estão lá a apanhar pó há meses ?
O futuro (aliás, desculpem-me o presente, porque eu já vivo em 2010), são novos modelos de negócio como aquele que o Dextro referiu, ou Software as a service, ou simplesmente, se estão a fazer software que pretendem mesmo vender, perceberem que não devem fazer uma aplicação monolítica com dezenas de funcionalidades que 90% dos utilizadores nunca vão usar e que custa balurdios e que precisa de recursos humanos imensos para ser desenvolvida.
Façam aplicações simples e consistentes, que cumpram o seu propósito e que faça as pessoas sentir que o valor que pagam por estas é justo.
Não estava habituado a pagar por software recentemente visto ter sido utilizador de Linux no desktop durante vários anos. Recentemente tornei-me utilizador de Mac OSX, e a comunidade que desenvolve software específico para este sistema (muito dele pago), tem um grande nível de atenção ao detalhe e consegue cobrar preços justos pelas aplicações que nos consegue fazer sentir bem quando pagamos por elas.
Acham que eu me sinto bem a dar dezenas de euros pelo Photoshop quando nunca vou usar a maior parte das funcionalidades ? Não. Prefiro dar 44 euros pelo Pixelmator que faz exactamente o que eu preciso.
E o mesmo se aplica à indústria da música e do cinema, principalmente sabendo que, pelo menos no caso da música, grande parte dos lucros não vão parar às maõs do artista. Prefiro dar 30 euros por um concerto e se calhar mais 20 por uma t-shirt de uma banda sabendo que a grande parte vai parar aos bolsos deles do que dar 15 ou 20 euros por um album cujo lucro vai maioritariamente para a editora.
Aliás, as únicas pessoas que ainda não viram isto foram mesmo as editoras e estas associações de editores e empresas de publicação. E esses artistas que tanto aparecem na televisão a falar contra a pirataria ? A maior parte do tempo deles hoje em dia é passado à frente de editoras ou a desempenhar outros tipos de funções nas quais ganham dinheiro às custas de outros artistas.
Muitos bons artistas hoje em dia não têm qualquer problema em disponibilizar a sua música na internet sabendo que se um dia decidirem começar a dar concertos vão ter muitas pessoas prontas para os ver. E não, não só os Trent Reznors e Thom Yorkes deste mundo.
Ah, mas os artistas não conseguem gravar a sua música para a publicar sem terem dinheiro ? Digam-me quantos artistas começam realmente com muito dinheiro no bolso ? Só aqueles que são fabricados pelas editoras. Os verdadeiros artistas começam a fazer as coisas por si, nos seus tempos livres, com o seu dinheiro, e talvez mais tarde sejam descobertos por uma editora.
E hoje em dia com o nível e os bons preços dos equipamentos muitos artistas fazem a sua música em casa com um simples computador e algumas peças de hardware que façam o interface entre este e os instrumentos. Não são necessários estúdios multimilionários. Aliás, sugiro-vos que oiçam ou que apareçam na próxima se sessão do Green Tone Bits, uma sessão de mp3jing mensal constituída apenas por música disponível gratuitamente na internet e com uma qualidade muito acima de grande parte da música que por aí anda.
Ah, mas então se alguém quer viver da música agora é obrigado a dar concertos ? Já não pode gravar um album e ficar anos a viver dos lucros (ou melhor, da vida que a editora lhes paga) ? Como eu já disse anteriormente, as coisas mudam e os modelos de negócio mudam. Os artistas sempre deram concertos. Chama-se a isso trabalhar. É algo que eu faço todos os dias, de Segunda a Sexta e ainda não morri. Aliás, adorava que o meu trabalho fosse andar por esse mundo a dar concertos.
Enfim, haverá sempre pessoas a viver no século passado, haverá sempre pessoas a não quererem sair do seu lugar de conforto e perceber que a sociedade mudou, que têm de se reciclar e actualizar.
Mushroom
20 de Janeiro de 2010 ás 23:45 [s] []
A usar Mozilla Firefox 3.5.7 em Mac OS X
deixei de achar que a pirataria era um problema para aí ao segundo episódio do mtv cribbs…
porque é que esta gentalha anti-pirataria não gasta os recursos a lutar contra os verdadeiros ladrões que os governam? Não faz sentido uma pessoa que não tem dinheiro para comprar um CD ter acesso à cultura? Mas faz sentido que alguém com dinheiro tenha direito a carros pagos com o dinheiro dos contribuintes? Qual destas situações é o verdadeiro roubo?
Eu sou do tempo das cassetes, em que cada um partilhava as músicas que tinha com os amigos, e nunca houve este problema. A única coisa que mudou foi a dimensão, a isto chama-se progresso, afecta todas as indústrias, bem vindos ao mundo dos mortais. Querem sobreviver arranjem uma solução que agrade a ambos, eu estou farto de comprar caixas de plástico com CD’s lá dentro, não me atrai.
E mais digo, dou-me grato por estes senhores não estarem numa luta anti-aborto, se não o resultado do seu protesto eram 24horas de abortos contínuos.
Pelo menos tenham os tomates de dar a cara e admitir que o problema é que estão a deixar de ganhar dinheiro a explorar os artistas porque eles arranjaram uma maneira melhor de distribuir o seu produto. Temos vários casos que atestam que resulta.
A Internet deve continuar a ser livre!
ui
21 de Janeiro de 2010 ás 00:16 [s] []
A usar Safari 4.0.4 em Mac OS X
Só cá faltavam os líricos de que o mundo muda e as editoras estão erradas e coiso e tal. Wake up call… a lei ainda não mudou e até lá, quem manda nas empresas/editoras são eles próprios. O que tu achas é irrelevante. Quando for relevante, eles mudam, até lá cumpres a lei. Chames downloads ilegais ou outra coisa qualquer.
O que tu achas sobre o direito de autor não interessa para nada. Se fores apanhado com uma cópia ilegal, ou como voçês gostam de lhe chamar, um “backup que não foi gravado por mim e para o qual não tenho o original ou prova de compra” bem que podes vir com a tua teoria dos direitos de autor e como achas que vai contra os direitos humanos e a fome no mundo que não adianta bolha… aprende uma coisa, chama-se LEI. E ou a cumpres ou não a cumpres. O resto é opinião e não vale nada.
Já que roubam músicas e filmes, não sei pq não roubam roupas, água, etc. Qual é a dif ? Vamos começar a dizer que essas empresas tb vivem no passado e a que a sociedade mudou ? Pq me obrigam a beber água de uma garrafa ?!! Esses pulhas fachistas!
Tiago Rodrigues
21 de Janeiro de 2010 ás 01:00 [s]
A usar Google Chrome 4.0.288.1 em Mac OS X
Desculpa, opinião não vale nada ? É lei ? Vivemos no mesmo mundo ? Então a teu ver os negros ainda não podiam votar nos EUA. Nem as mulheres por esse mundo fora. Era lei e a opinião deles não valia nada. E o mundo não mudou e continua tudo na mesma.
E esse argumento de “não roubas bens físicos” está tão gasto que já cheira mal. A única coisa equiparável a roubar roupa seria ir a uma loja e roubar o CD. Os materiais físicos custam dinheiro, os cds custam dinheiro, as caixas custam dinheiro. Fazer a música também custa dinheiro sim, mais ou menos dependendo dos recursos utilizados e da quantidade de alcoól e droga que os músicos meteram para fazer a música, mas ao fim do dia, eles produziram uma coisa não palpável, uma coisa que qualquer pessoa pode ouvir e trautear, cantar aquilo de forma igual e…oh…uma cópia ilegal ? Vais multar a pessoa por trautear uma música ?
Ah, espera, sim, a RIAA já tentou processar pessoas por tocarem música muito alta nas suas casas.