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Manifesto Ortográfico

Nov 07 15

Escrito por Luis Nabais @ 15/11/07 1:11 | 6 Comentários »

Nota: Ultimamente ando mesmo do contra…

Há 20 anos atrás que se discute entre os povos “irmãos” de Portugal e do Brasil o famoso acordo ortográfico que promete aplicar diversas alterações à nossa língua materna mas eu, como Português nascido e criado em Portugal, que leu autores como Camões, Pessoa, Gil Vicente ou Miguel Torga, não consigo sequer começar a aceitar tão afamado protocolo.

Não, ninguém me convence a mim que todos os autores nacionais que acima citei e mais outros tantos que certamente deixei de fora estavam errados na sua forma de escrever Português… Ninguém me convence a mim que “húmido” se escreve sem H… Ninguém me convence a mim que um povo separado do nosso durante 500 anos está mais próximo de escrever correctamente a “nossa” língua do que todos aqueles que no seu berço viveram e ao longo dos anos escreveram…

Caso o tal acordo venha a ser adoptado pelo triste exemplo de governantes que temos boicotarei pois claro as suas alterações e não alterarei uma letra à minha forma de escrever. Não sou nenhum mestre da escrita, dou até bastantes erros de ortografia mas ninguém me convence a mim que aquela língua usada no outro lado do atlântico está mais correcta do que aquela passada por gerações neste pedaço de terra do velho continente…

Sou Português, vivo em Portugal, falo e escrevo Português, a minha língua materna, parte da identidade cultural do meu país, parte da herança que os meus antepassados deixaram e parte daquilo que torna o meu país naquilo que é… Não sou Nacionalista, acho que poucas razões dou para que me apelidem como tal, não sou sequer muito picuinhas no que toca à língua que uso mas no que toca àquela ex-colónia do outro lado do Atlântico não nutro grandes simpatias e menos ainda no que toca ao suposto “Português” recheado de estrangeirismos e “incorrecções” que teimam em escrever e espalhar pelo mundo…

Não somos nós, velhos originários da língua, os principais responsáveis pela sua posição nas cinco mais faladas do mundo actual mas creio que deviamos ao menos ter o orgulho em ter sido o seu país mãe e não deviamos deixar que ninguém nos queira ensinar a escrevê-la!

E para terminar, nas palavras de Almada Negreiros: “Morra o Dantas, morra! Pim!”

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6 Comentários

  1. PiP

    Tá engraçado sim senhor! Ainda não tinha visto o teu blog natalício porque geralmente não venho cá, leio-o só no leitor de feeds. 😛
    Quanto ao post propriamente dito, também não concordo que alteremos a nossa língua porque noutros sítios derivou de maneira diferente…

  2. Gil Vicente

    Você leu os autos de Gil Vicente como foram originalmente escritos? Tem alguma coisa que ver com o que escreve? Leu os Lusíadas orginais e achou que a grafia era a mesma, a sério? Quando há pouco mais de 100 anos ainda se escrevia “pharmácia”? Não este post nem chega a ser nacionalista, porque é apenas tonto e desinformado. A língua já sofreu dezenas e dezenas de reformas ortográficas, e esta é das menores. Muda a ortografia cá, como muda no Brasil, simplificando ambas, mas em mais nada alterando o idioma.

  3. Dextro

    Você leu os autos de Gil Vicente como foram originalmente escritos? Tem alguma coisa que ver com o que escreve? Leu os Lusíadas orginais e achou que a grafia era a mesma, a sério? Quando há pouco mais de 100 anos ainda se escrevia “pharmácia”? Não este post nem chega a ser nacionalista, porque é apenas tonto e desinformado. A língua já sofreu dezenas e dezenas de reformas ortográficas, e esta é das menores. Muda a ortografia cá, como muda no Brasil, simplificando ambas, mas em mais nada alterando o idioma.

    Por acaso li, sei que houve alterações sim e curiosamente “pharmacia” ainda pode ser visto escrito em alguns desses estabelecimentos em Lisboa (salvo erro essa palavra foi alterada em 1943 mas não tenho a certeza)…

    No entanto existem grandes diferenças entre as alterações que foram ocorrendo ao longo dos anos e este acordo nomeadamente o facto de este estar a ser imposto por politiquices contra a evolução natural da língua…

    A língua deve evoluir não pela vontade de políticos mas devido à necessidade de quem a utiliza…

    PS: Já agora, e só para ser chato, é “Os Lusíadas”, relembro perfeitamente o facto dos meus professores insistirem nesse facto.

  4. Spitfire

    Devo dizer que estou de acordo contigo caro Dextro.
    O Português do Brasil é a mesma língua que o Português de Portugal, em que a sua diferença se baseia única e exclusivamente numa questão… evolução. Enquanto os Portugueses evoluiram a língua quer pelo falar do dia-a-dia, quer pela introdução (subentenda-se tradução) de palavras estrangeiras, os Brasileiros nada mais fizeram que (para além de manter a língua como esta era falada há 500 anos atrás) deturpar o Poruguês com termos como “ônibus” e “colapsar”! Uma coisa é a natural evolução de uma língua viva, outra é a misturada obtida entre colagens feitas “à parva” entre línguas completamente diferentes como é o Português e o Inglês!